terça-feira, 17 de abril de 2012

Prólogo - 28 de Junho, Ano 1


Prólogo
28 de Junho, Ano 1
            Já vinha de alguns anos uma Política do Governo Central visando a reocupação do campo. As cidades se tornaram enormes, com deficiências gigantescas, o que não se tornou algo fácil de ser resolvido. Assim, acabou sendo mais natural fixar novas pessoas nas zonas rurais do que atacar os imbróglios urbanos que vinham surgindo. A Política das Comunas Agrícolas funcionou e funciona muito bem. Ela já existia durante o século 20, mas era porcamente divulgada. Assim acabou se tornando um meio viável de aumentar a qualidade de vida de modo global. O número de pessoas na cidade começou a diminuir, enquanto que no campo aumentava. Obviamente que tal política vinha recheada de benesses: minibairros extremamente modernos, dotados de escola e hospital, e com fácil acesso por via terrestre ao grande centro urbano.
            Muitos jovens se interessaram por isso. Primeiro porque o local era de graça, e ainda por cima do Governo Central pagava para sua fixação na terra. Junto com a fixação, era necessário dispensar algumas horas de trabalhos semanais nas lavouras. Algo de total subsistência, para a Comuna e para a Cidade. Assim, como o conceito de “Desenvolvimento Sustentável” aparentemente começou a vir junto a genética de novas crianças, era natural que se passando os anos, elas se interessassem por políticas similares.
            Dentre esses jovens ambientalistas estava Aya. Tinha seus 22 anos. Estudava numa Faculdade afastada do centro urbano, logo, se tornou mais do que interessante viver na Comuna. A sua era a Comuna 20S (número 20, da região Sul). Sempre fora uma menina determinada, ou pela educação de seus pais, ou pelas situações em que teve que passar na escola. Tinha um cabelo longo e ondulado, ruiva original, levemente sardenta, com olhos azuis extremamente chamativos. Não era alta, um padrão de altura normal, e razoavelmente magra. Transformara-se numa mulher chamativa por ser original, diferentemente da criança, que era considerada feia por ser diferente. Nunca se interessou por namoros despretensiosos. Olhava os relacionamentos sob uma outra égide e talvez por causa disso sofria com risinhos voluntários sobre ainda estar sozinha, com vastos 22 anos, como diziam.
            Morava sozinha, por opção. Morar sozinho pagava menos, mas ao menos Aya tinha como estudar nas horas vagas, e podia descansar sem ouvir a voz de ninguém quando voltava da lavoura. Era uma casa simples, uns 40m² construídos: um quarto, uma sala estreitamente para dois ambientes, uma cozinha para 1 pessoa, e o banheiro. Não precisava além. E podia receber seus amigos, os poucos, quando havia necessidade. Por fora da casa, uma simplicidade espartana também. O desenho urbanístico da Comuna era minúsculo, justamente para impedir que se transformassem em minicidades. Era 1 rua única, horizontal Leste-Oeste. No extremo Leste, a Escola, no extremo Oeste, uma Clínica Médica, no centro, o maior prédio do local envolvendo a Administração Pública e a Polícia, e também a Estação de Trem. E as casinhas cresciam ao redor dessa única rua, que não eram, obviamente, rodeadas de carros ou placas de sinalização. Havia uma praça adequada também no centro da rua, em frente ao Grande Prédio dito acima. No lado oposto ao Prédio, o Portão da Comuna que levava as lavouras, com seus caminhos bastante retos e explicativos. E Aya morava no Setor Leste.
            Aya levantara cedo naquela sexta. Era véspera de sua folga na Comuna, e era seu último dia de aula do semestre. Era uma boa razão para levantar antes do horário, tomar um banho razoável, lavar o cabelo, preparar um café fraco, e ligar a Televisão para ouvir algumas notícias: saber se o Presidente havia morrido, se alguém explodiu uma Bomba Atômica, ou se mais uma Guerra Mundial havia começado. Todas as outras informações, pensava Aya, eram iguais, só mudavam as datas e em quem acontecia. Talvez por conta disso resolveu trocar o canal do jornal “Bom Dia!”, e ir músicas. Deu preferência para suas WorldMusic’s, difundidas em excesso nas últimas gerações. Ouvia enquanto colocava uma quantidade generosa de café em sua caneca com símbolo vegan, e preparava um lanche vegetariano. Sim, Aya também era vegetariana. Terminou seu café, terminou de se arrumar, e saiu de casa, fechando-a através da biometria.
            Era muito cedo ainda, mais do que o costume de Aya em sair para pegar o trem. O dia estava ainda se clareando todo, o vento ainda era fresco, e era possível ver o fim de alguns pontos luminosos no céu. Ela estava sabendo que um planeta, que ela não se lembrava de qual, estava nesses próximos dias com seu reflexo incidindo com grande intensidade na Terra. Reparou isso, mas não ficou se preocupando tanto. A cafeína começou a fazer efeito no seu organismo, e por isso começou a sentir aquela costumeira sensação de euforia pós-cafeína, e começou a pensar em milhões de coisas... Boas, sim. E se sentiu poderosa o suficiente para conseguir tudo.
            Observou à sua esquerda algumas casas, com as lavouras ao fundo. Estava neste período na obrigação de tomar conta da parte de hortaliças, que cresciam e morriam muito rapidamente, daí a necessidade de tomar conta de mais de 1 espécie de planta. Era comum nas Comunas que cada morador tomasse conta de 1 espécie por um período determinado de tempo. A ideia final é de que todos pudessem ter passado por todos os lugares produtivos. Aya pensou nas suas couves, e em prepara-las à noite com manteiga e alho.
            Continuou seguindo na única rua de sua Comuna até chegar ao Grande Prédio. A construção não era de fato grande, mas o era comparado as casas que haviam na Comuna. Eram apenas 2 andares, sendo que no 1º fica a Polícia, no 2º a Burocracia Estatal. No térreo havia um grande pátio, por causa da existência da Estação de Trem. O prédio era todo branco, semiespelhado externamente: espelhos eram intercalados com belas estruturas de concreto albino. Não haviam torres no telhado. Era um telhado reto, com gramíneas. No futuro, quem sabe, seria possível transformar o lugar num belo terraço, mas, atualmente, era impossível pensar nisso, por uma opção financeira. No grande pátio da estação, novamente, aquela decoração espartana: inexistente, porém, sabendo ser funcional. Algumas placas espalhadas e só. Aya confirmou o horário de seu trem: faltavam ainda 5minutos.
            Enquanto esperava os 5minutos acabarem, Aya ficou pensando no seus bizarros fins de semana. Ela nunca fizera muita questão de estar com alguém. Não era do seu feitio, e aprendera a se dar bem sozinha. Gostava disso. Mas ela também concordava que o homem é um animal social. Raramente, pensava, “se ve grandes coisas da humanidades feitas por apenas uma pessoa isoladamente”. Percebia Aya que algo podia ser melhorado, só não sabia o que. Não tinha culpa de ter se tornado uma pessoa fechada pelo que já passara na vida. Mas também, “as pessoas que vivem comigo hoje não tem culpa nisso”. E assim começou a condicionar algumas. Ela já tinha 22 anos, e não demoraria para estar formada. Depois de formada, possivelmente, resolveria voltar para a capital, San Remo, apesar de toda sua consciência adorar a vida em Comuna. Ir viver numa cidade que pretendia ser a “única cidade grande” do mundo era demasiada hipocrisia para ela. Mas, pensou, “a única opção vantajosa da Comuna é o salário”.
            O trem começou a chegar. Com suas incríveis velocidades, que chegavam a 300km/h para um transporte interurbano, conseguia ser mais do que eficiente. Aya passou seu cartão, entrou, e sentou na primeira poltrona que viu. O trem realmente era de qualidade. Por dentro todo estofado de cor azulada, por fora, uma estrutura cilíndrica branca o envolvia. Da Comuna até a Estação de sua Faculdade eram pouco mais de 20minutos. Deu tempo de ler mais um capítulo de um livro de felicidade instantânea.
            A Faculdade de Aya poderia facilmente se enquadrar como uma comuna. Era um vasto campo, com um prédio no centro dele, e varias casinhas adjacentes. A diferença é que sua estrutura era totalmente radial. Como estava chegando razoavelmente cedo para os padrões, era natural que todo o campus estivesse vazio.
            Ao chegar na estação, muito similar a estação de sua comuna, Aya, que estava muito acostumada com o trajeto e com as pessoas que estão envolvidas no meio do caminho, apenas estranhou um rapaz novo na estação, aparentemente um calouro, ou apenas perdido.
            - É calouro? – perguntou ela.
            - Ah, bom dia. Não, não sou calouro não. Eu... Eu apenas resolvi pegar o trem e parar aqui para conhecer o campus. Tinha ouvido falar que era legal, e como eu to com o dia de folga, resolvi passar aqui.
            - Ah... Entendi. Primeira vez então aqui? De onde você vem?
            - Venho da capital. Lá, você deve saber, não tem como fazer um campus dessa forma. Concreto em excesso... Você mora onde lá?
            - Na realidade não moro em San Remo. Sou da Comuna 20S. Comunas viraram lugar para estudantes morarem depois que o Governo passou a pagar para sairmos das cidades.
            - Ah, é... Eu nunca fui numa comuna também. Na realidade nunca fui em muito lugar.
            - Ahm... Quantos anos?
            - Eu? 20.
            - E é tão preso assim?
            - Preciso. Meus pais morreram e eu preciso tomar conta dos meus irmãos gêmeos mais novos. Não tem como eu fazer certas coisas, porque eles precisam de mim. Tive que abrir mão de faculdade e trabalhar para poder sustenta-los. Logo menos eles me chamaram de pai...
            - Ah... Que triste... Meus sentimentos.
            - Relaxa. Você se importa de me levar para conhecer esse lugar?
            - Claro, claro. Como você se chama mesmo? Meu nome é Aya.
            - Prazer. Sou Kayan.
            Ambos saíram do prédio da estação e resolveram ir ao prédio central da Faculdade. De lá partiam varias ruelas. Para facilitar conhecer o local, Aya sugeriu de irem até o mirante, que ficava foram do raio de construções ligadas do campus. Mas, ao menos, ela teria tempo de mostrar o lugar para o jovem, e poderia até conhece-lo melhor.
            - Talvez o mirante seja o melhor lugar para você ver tudo daqui.
            - Tudo bem, não me importo de andar mais.
            - Venha. Eu tenho aula daqui 40minutos. Tenho um tempo para te levar até lá.
            Os dois foram no sentindo sudeste (em relação ao prédio central). No caminho, nas poucas vezes que foram conversando, Aya fora se sentindo gostando do rapaz. É certo que se conheceram não faziam 5 minutos. Mas ela nutria aquela velha história de que poderia conhecer alguém legal em qualquer momento. Achou que Kayan poderia ser essa pessoa. Além de ser bonito, era simpático. O jovem era um pouco maior que ela. Cabelos bastante claros, pele bastante clara, e um olho cor de caramelo. Nunca vira alguém com cor nos olhos assim. Era uma característica bastante incomum, e só havia visto em fotos. Achou o conjunto todo harmônico, todo dourado, pensou. Em momento bastante fora de si, Aya se viu pensando que ter filhos com Kayan traria uma ótima certeza: seus filhos teriam uma pele extremamente clara.
            - Você trabalha em que?
            - Eu trabalho numa central de callcenter. Não exige muita especialidade, e eu não tenho tempo de me especializar. Faço uma jornada dupla, enquanto meus irmãos ficam integralmente na escola. E vai sendo assim, domingo a domingo. Você estuda aqui né?! Faz o que?
            - Estudo Engenharia Genética. Meu forte é na área de botânica. Mas a gente sempre conhece algumas outras áreas. Você tem uma cor de olho rara de se encontrar.
            Kayan ficou sem graça.
            - Ah... É. Meus pais também tinham olhos assim, e sempre brincaram com eles dizendo que eles eram parentes por causa disso. Eu e meus irmãos também acabamos tendo. Pena que eu não posso desfilar tanto ele assim.
            Aya soltou uma risada, que foi acompanhada pelo jovem.
            - Você não vai trabalhar hoje?
            - Um dos nossos chefes faleceu. Não gosto de velórios. Como tenho que acordar sempre muito cedo, por causa dos meus irmãos, tive tempo de vir aqui.
            - Ah, entendi.
            Continuaram andando, até que chegaram no mirante. Lembrava bastante um minarete. Uma altura próxima a um prédio de 6 andares. Apenas 1 elevador no térreo, que levava diretamente ao topo. Uma torre feita totalmente de predas. Diziam que fora feita no século 19. O elevador, obviamente, veio no século 21.
            - É aqui. – disse Aya, enquanto foram subindo.
            Na subida continuaram conversando. E Aya resolveu tomar uma de suas poucas iniciativas.
            - Até que horas seus irmãos ficam na escola?
            - Até às 19hs. Por quê?
            - Você disse que queria conhecer uma comuna. Poderia ir lá em casa a noite.
            - Eu preciso ficar com meus irmãos até dormirem...
            - Faça os dormir, depois vá até lá.
            - Não se importaria? Teria que ser após as 22hs. Tudo bem pra você?
            - Sim, tranquilo. Eu fico te esperando lá na Estação. Comuna 20S, não é tão difícil chegar.
***
            Aya havia preparado as couves. Ficara com as hortaliças, e, por isso, não deixou de por em prática o desejo de fazer aquelas folhas verde-escuro com manteiga e muito alho. Aproveitou também para pegar berinjelas, tomate, abobrinhas e pimentões e fazer algo próximo de ratatouille. Não era sempre que alguém a visitava. Muito menos alguém que ela havia ficado interessada.
            Kayan realmente era um rapaz apaixonante, pensara ela. Havia nele algo que a deixava extremamente próxima. Ela não acreditava em situações e pessoas perfeitas. Mas criava, dentro si, parâmetros que para ela poderia estar próximos do ideal para si. E ele era assim. O fato de ser aquele rapaz que precisou abrir mão de várias coisas em nome de sua família a deixou extremamente apaixonada. Ele era agradavelmente bonito. Não era uma beleza única. Mas, como Aya gostava de pensar “era um conjunto de coisas que o deixava bonito”. Era uma beleza de quem batalhava duro. Era um olhar de quem tinha muitos sonhos mesmo sendo pragmático. Ela realmente gostou dele. Não para tanto, resolveu convida-lo a sua casa.
            A couve já estava picada. O ratatouille assando. Aya não havia cozido a couve ainda para não deixa-la esfriar até que o rapaz chegasse. Estava dando 22horas. Resolveu sair de casa e ir até a Estação.
            A rua única da Comuna 20S estava bem iluminada, como de costume. O uso de energia solar garantia uma iluminação forte e constante, sem causar um peso na consciência desses jovens ambientalistas. Foi até o prédio central, e ficou lá esperando das às 22hs. Provavelmente ele seria o único a chegar naquele horário, uma vez que era sexta, e, sexta a noite era dia dos outros irem para San Remo encontrar alguma diversão acessível e intensa.
            A estação estava vazia. Não que alguma vez ela ficasse muito movimentada. Mas já era de noite, e, aparentemente a noite dava uma sensação maior de solidão. Para não pensar que estava tão sozinha assim, havia um policial fumando um cigarro eletrônico (que não expele fumaças) enquanto lia algum livro, sentado num dos bancos nunca lotáveis do local. Aya não tinha o costume de conversar com ninguém da comuna, e, portanto, não fora diferente naquela situação. O silêncio do local fez com que ela ouvisse certeiramente a chegada do trem, que estava 1minuto atrasado.
            Kayan desceu, e, de fato, era o único. Estava com suas roupas e seu estilo comum, do jeito que Aya estava gostando. Se cumprimentaram com um beijo no rosto, fazendo o policial estranhar a atitude. Foram para a casa dela conversando.
            - Espero que você não se importe de comer só vegetais hoje. Sou vegetariana, só preparei coisas desse tipo para comermos.
            - Ah, tranquilo. Eu acho muito interessante esse lance do vegetarianismo. Mas, talvez por causa dos meus olhos lindos de cor de mel, minha família sofre uma anemia pesada, e, nosso médico nos proíbe de não comer produtos animais.
            - Entendi. – Aya se sentiu um pouco frustrada. Já estava ensaiando, em pensamento, um forte discurso a favor de todas as pessoas do mundo pararem de comer carne. Mas, ele citou um argumento médico. Não que ela confiasse tanto assim, mas considerou que não poderia estragar a noite por causa de um bife.
            Chegaram à casa dela. Continuaram conversando enquanto Aya tirava o ratatouille do forno, e levava a couve com manteiga e alho para dar uma estalada na frigideira. O cheiro estava bom. “Essa moça sabe transformar esses legumes em coisas maravilhosas”, pensou Aya, que pensava que Kayan queria dizer isso. E foram comer. Conversando, bebendo um pouco da Água Altamente Mineralizada que ela consumia, e comendo bastante. Até que os talhares foram ficando cansativos, e mastigar já não era mais necessário. Era quase meia-noite.
            - Tudo muito bom, Aya. Muito obrigado mesmo.
            Aya corou. Retirava os pratos e os arrumava na cozinha. Kayan foi ajudar, e ela o interrompeu, dando-lhe um beijo, que fora correspondido.
            - Você falou que queria conhecer a comuna. Aqui do lado Leste tem uma grande plantação de trigo... No meio dela tem uma casinha. É bem tranquilo lá. Quer que eu te leve?
            Daquele momento em diante não era mais a razão daquela moça que falava. E ela esperava que o rapaz também não estivesse agindo muito racionalmente. Além de estar se sentindo atraída por Kayan, Aya também estava precisando de sexo. Já fazia bastante tempo que não tinha nada, e, como estava lá o homem que ela queria, não deveria passar a oportunidade de ir transar na casa agrícola da comuna.
            Os dois saíram de casa, de mãos dadas. Viraram a direita até chegarem ao portão que dava acesso a lavoura. Aproximaram-se da plantação de trigo. Os trigos estavam altos, próximo de serem colhidos, e, talvez, por isso, nenhuma pessoa acordada poderia os ver de suas janelas. Aya queria se dar a possibilidade de alguma aventura naquele momento.
            - Te encontro lá na casinha. Você me acha né?!
            - Com certeza! – disse Kayan.
            E os dois partiram correndo no meio da plantação. Já era meia-noite quando saíram sorrindo, dando gritinhos, e todo felizes, afinal, as luzes públicas da comuna estavam apagadas, e só era possível ver um reflexo de luz que, provavelmente, vinha da casa de Aya. Mas ela não queria pensar nisso agora. Ia atravessando cada pé de trigo, sentindo a plantação raspar no seu rosto, entrar no seu cabelo ruivo. Se machucava, não sabe. Ela estava gostando disso. Fazia barulho enquanto corria, e percebia ao seu redor o vulto de Kayan correndo também. Se excitava com a situação. Estava exultante, como há muito tempo não estava.
            A casinha do agricultor estava no meio da plantação de trigo. Era pequena, próximo a uma cabana. Feito de madeira, e suja como qualquer casa agrícola. Aya chegou lá antes de Kayan. Estava bagunçada, mas não se importava. Arfava um pouco, mas sentia que isso era mais pelo desejo ao rapaz do que pelo cansaço.
            Kayan chegou correndo e a agarrou enquanto iam os dois para dentro do local. Fora tudo muito brusco, rápido, intenso, e completamente excitante. Aya não pensava em mais nada. Apenas desejava poder tirar totalmente sua roupa para que Kayan a possuísse por inteiro. E foi conseguindo. E foi possuída mesmo com um pouco de roupa. E gemia alto, ela e ele. E se beijavam para diminuir o barulho, ou para aliviar o ritmo.
            Fora tudo muito bom e cansativo. Depois de atingir o máximo de prazer junto daquele rapaz, Aya, que estava extremamente cansada, e realizada e aliviada, não pensou em levantar. Ficou deitada naquele chão de madeira, sujo de terra, rodeada de instrumentos agrícolas, ferramentas de máquinas, e um par de coisas que em sã consciência não seria nada excitante. Mas naquele momento o fora.
            Puxou Kayan para perto de si, virando ele de barriga para cima. Recostou sua cabeça em seu peito. E assim ficaram os dois em silêncio. Bastante silêncio...
            Dois dias depois, a Polícia da Comuna 20S solta um aviso: a moradora Aya Rittmann estava desaparecida, e não haviam rastros de onde ela poderia se encontrar.