O Quadro das Estatísticas do Século XXI
O rosto manchado, ressecado, quebradiço,
O cabelo despenteado, febril, sem tratos,
O nariz que escorre, a coriza sem fim,
O olhar abatido, sem eu, sem o quê.
Como seria possível à nossa mentalidade
Refletir as nossas três realidades,
A discrepância, a desproporcionabilidade,
Quando à verdade é levada
Em consequências matemáticas,
Reais, Racionais, Inteiras, Naturais...
Naturais como o estomago vazio.
Se, somente se,
Uma reação se libertasse,
Do âmago,
Produzir-te-ia o choro
- lágrimas com sangue,
lágrimas com suor,
lágrimas hipertônicas,
lágrimas com terra,
lágrimas ao expoente infinitesimal -
E revelaria o sujo e completo
Descaso à humanidade.
Por que sempre nos desligamos,
Abortamos o feito perfeito,
Assassinamos a realidade?
Porque sempre a facilidade fala.
Porque o estomago está cheio.
Porque a moralidade agora pode te falar.
Porque o culto do eu pode te convencer.
Porque a verdade pode ser calada.
Porque criam na impotência a distância,
Num mundo que se reduz ao zero.
Ainda se desliga, ainda sabe a verdade,
A ninguém mais importa a verdade.
O fato se altera, o fato vira a mentira.
O tédio da passividade atestado.
E ainda sabe, e sabe,
Porque repetem,
Por prazer? Por que?
Que a todo momento,
Alguém morre pelo
Esquecimento.
A necessidade da não reação.
Da impotência.
É a realidade da não reação.
Nada atinge. Nada conta. Nada consta.
Tudo se reduziu ao vazio.
Suas riquezas a se partilhar com ninguém.
E ainda esperam que a bomba se apague.
Sozinha.
E negligenciada.
Gustavo Mendes, em 1/7/2012, 2ª versão
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