ADSTRINGÊNCIA
11 e Fim
Ofélia se mandou. Tudo o que sempre defendera fora por água a baixo para compensar a felicidade que ganhou. Está aí uma prova de que pessoas que sofrem demais a vida toda, ao terem um feixe de felicidade decidem se preocupar em se fazerem felizes. Salomão também estava bem. Viver a vida esperando a morte não é viver. Ele se sentiu traído a vida inteira, e resolveu aproveitar esse tempo perdido. A idade estava na cabeça, e não na certidão. E Salomão passou a acreditar nisso.
Por outro lado, nosso Getúlio continuava quieto sobre o que ia fazer. Ele passou a vida inteira servindo ao Estado. Vendo pessoas vendendo informações. Vendo lobby. Por ele passaram informações valiosíssimas, que deram aos “compradores da informação” muito dinheiro à frente. E dinheiro, e poder.
Saber algo da poder a quem sabe. Não era de hoje que Gegê sabia a importância do conhecimento. Sim ele liberta. Sim ele te torna uma pessoa melhor. Sim ele evolui o espírito. E se é possível viver mais e melhor quando sua mente esta treinada. Era inegável essas importâncias.
Com isso em mente e com outras informações, nosso Getúlio resolveu ir às compras. Diferente das compras clichês da Ofélia. Getúlio andou pela costa carioca, capixaba, paulista. Resolveu usar todo o dinheiro arrecadado por ele, e por parte de sua herança (afinal a outra virou uma Sauna Gay de seu pai) para comprar áreas sem propósito. Comprou praias desertas. Feias até. Fez uma exigência explícita sobre quantas milhas náuticas ele queria. Na realidade, Gegê comprou mais terra submersa do que terra emersa.
Nosso Getúlio sabia o que estava lá. Usou das Informações para comprar grandiosas reservas do petróleo brasileiro. Aquelas seriam sua propriedade privada, e ele sabia do bom senso que a Lei teria de respeitar isso. Lá estavam uma vasta maioria do petróleo canarinho. Gegê usou dos seus privilégios para conseguir tal coisa. Ele não tinha tecnologia para extrair, mas pouco importava. No futuro ele faria dinheiro. E se tornaria um dos homens mais ricos do país. Daria palestras sobre empreendedorismo. Seria louvado como um empresário de excelente gestão. Aham!
Mas o Governo não sabia das terras? Não era algo estratégico? Estratégico? No Brasil? Getúlio sabia que ninguém levaria a mínima para estratégia. Ninguém casaria informações. Que sorte, Gegê. Anos mais tarde, quando você aparecer na Forbes, o Brasil vai casar, e aí os ‘novos ricaços’ vão começar a ficar putos.
E Francisca não revelou seu segredo. Cometeu um pecado grande, que não merecia perdão. Iria passar o resto da vida se vestindo de homem, e, sempre antes de dormir, se maquiando para se sentir mulher. Mas ela resolveu dar um fim diferente a vida de outras mulheres.
Ela sabia do sexismo do nosso país que respeita todas as diferenças (de fora, não de dentro). Era inteligente. Mas não seria valorizada sua inteligência enquanto mulher. Ela era inteligente o suficiente para saber como lutar e quais lutas lutar. Ela sabia o que imperava.
Resolveu lutar pelos direitos da mulher. Entrou num partido de oposição. Discursava da importância de integrar a mulher da vida política, dos respeitos, das leis. Da violência doméstica... É. Era um trabalho digno. Francisca sabia que estaria fazendo um papel importante para outras senhoras. Usou da sua roupa de homem para ser ouvida em nome das mulheres.
E num desses discursos que Francisca/Joaquim deu, após a eleição de um civil para Presidente, falando da importância da presença feminina, algumas mulheres feministas estavam lá estavam conversando.
- Não é curioso um homem defender os direitos da mulher?
- Daria no mesmo que um branco defender os direitos dos negros.
- Sim. Mas é curioso. Este homem não sabe o que é ser mulher para defender nossos direitos. Quem deveria estar lá em cima somos nós, não eles.
- É, deveria mesmo. Mas... Sabe... Cavalheirismo é uma coisa tão linda em um homem. Ver eles defendendo nossos direitos nos faz sentir extremamente protegidas.
E no futuro, seria preciso um homem de novo para colocar uma mulher no topo do poder.
De: Gustavo Mendes
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