ADSTRINGÊNCIA
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E Ofélia se inscreveu no programa. E conseguiu participar. Era daqueles programas de auditório famosos. A função dela? Apenas responder perguntas. Ofélia sabia que a maioria das pessoas que participavam do programa eram muito “desprovidas de educação” ou “covardes ao extremo para não responder”. Ela ainda não sabia o que concluir.
Então estava lá ela num Programa Dominical, apresentado por um Judeu Milionário. No momento Ofélia pensou que ele não era esquerdista como os que ela conheceu... Mas foi até ver ele brincando com o dinheiro, e como “ele ajudava demasiadamente os pobres”. Ai, Ofélia. Se você já estivesse mergulhado na micvê, você podia tentar a sorte.
E começaram as perguntas. E as respostas. Ofélia guardou sua petulância um pouco. Mas conseguiu passar confiança. Era bom? Vai entender. Ofélia apenas sabia que ganhar aquela bolada poderia mudar sua vida. Como? Ela ainda não tinha pensado. Mas, sim Ofélia, seria bom você começar a pensar porque a bolada é sua. Sim, Ofélia ganhou uma quantia enorme de barras de ouro. E ficou feliz e satisfeita. Agora tinha que ir atrás dos procedimentos burocráticos (diga ‘Oi!’ para a Receita) e poderia ter o dinheiro a mão. Dinheiro não, Barras de Ouro.
Enquanto Ofélia ganhava o sua riqueza e pensava em se livrar da servidão voluntária, Gegê e Joaquim continuavam trabalhando. Nosso Getúlio foi pego por várias situações surpreendentes. A primeira e mais importante é que ele era um idiota total nas mãos do Governo. A segunda e não menos importante é que o trabalho não estava indo para lugar nenhum (como comentamos). A terceira e não muito importante era a que ele tinha que entregar o relatório final e indicar um suspeito.
- É obrigatório entregar o relatório com indicação de alguém? – perguntou Joaquim, que naqueles dias já estava virando amigo do nosso Getúlio... Amigo ou Padrasto?
- Obrigatório? Vejamos... Há séculos atrás quando os Reis voltaram ao Poder, a Nobreza tornou-se o embrião da Administração Pública... Queriam benesses e emprego fixo, e segurança... Era melhor do que o Rei usar seu Exército contra eles. Depois vieram os Burgueses. E aí Weber começou a falar umas coisas. E aí o Estado ficou complexo, cheio de normativismos. Porém a essência, Seu Joaquim, é a mesma: benesses e emprego fixo, e segurança. E ainda é melhor que o Exército não bata a minha porta. Mudou algo?
- Mas não há indício de nada.
- Na realidade há, se me permite.
- Olha, Seu Getúlio. O senhor vai indicar alguém inocente? E se as Diretas derem em algo? A perseguição ao senhor...
- Não vou indiciar alguém inocente. Não há inocentes. Mentalmente ninguém... Mas pra ser sincero quero me livrar disso. To aposentado, quero... Tá vendo?! Nem sei o que quero...
- Preciso fazer o que então?
- Vá para a casa. Seu trabalho acabou. Planeje sua vida, peça sua aposentadoria. O senhor guardou um bom dinheiro, faça algo com ele, se ainda tiver um pouco de sanidade... Ou não, sei la.
E Joaquim trocou mais algumas palavras. E se foi. Joaquim tinha criado algum vínculo com Getúlio e Salomão. Apesar de Joaquim/Francisca achar que quem criara vínculo com ela fora Salomão, e não ocorria vice-versa. “Se aposentar?”, pensava. “Não era má ideia”. Mas o que fazer depois? Os dias com Gegê foram bons. E ambos conseguiram evoluir em vários aspectos, além de perceberam sutilezas da vida onde ninguém percebe. Especialmente se percebe quando se tem o controle da informação. Controlar a informação é útil...
De: Gustavo Mendes
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