"Mais do que em qualquer outra época, a humanidade está numa encruzilhada. Um caminho leva ao desespero absoluto. O outro, à total extinção.
Vamos rezar para que tenhamos a sabedoria de saber escolher."
Woody Allen
ADSTRINGÊNCIA
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Getúlio trabalhou para o Governo por vários anos. Desde quando o Governo governava, e não apenas mandava. Gegê, um apelido horrível que ele odiava, detestava quando falavam que só tinha entrado no DIP porque era parecido com o Presidente e era seu xará. Gegê não gostava disso. Ele tinha apenas 20 anos quando entrou, entorno dos anos 1952.
Seu pai era Salomão, que recebeu esse nome porque seus pais viam nele um futuro Rei de um Reino sem Exércitos, mas que era sábio e rico. De fato, Salomão enriqueceu. Bastante dinheiro, mas não com sabedoria. Mexeu bastante com os cafezais, e quando se deu toda aquela celeuma enlatada dos yankees, conseguiu evitar problemas maiores: seu café foi vendido antes de todos, então, quem se fudeu não foi ele.
Getúlio também foi agraciado com seu nome em homenagem ao Presidente recém implantado no Poder. Na realidade não era porque Salomão queria seu filho perpetuado no poder, e sim porque queria mostrar ao próprio Presidente que ele o amava desde sempre, a ponto de dar ao seu filho, o nome do Comandante. Vinte anos mais tarde, a recompensa.
O nosso Getúlio trabalhou no DIP, como disse. Foi um bom funcionário. Na verdade era muito bom mesmo, sem demagogia. Era uma época em que realmente se trabalhava de verdade nessas coisas públicas. GV (o presidente) cobrava bastante. Podia não ser lá muito aberto, mas ele soube exigir o certo para essas coisas.
Gegê então começou a ser convocado para tomar algumas decisões importantes, com o passar dos anos. Gegê sabia que GV poderia se matar e sempre que possível, mostrava ao Presidente que ele precisava ficar vivo (e talvez por isso os militares aproveitaram bem Gegê: os milicos queriam GV vivo para depô-lo... logo, concluam sozinhos).
Então, depois da morte do GV, depois do JK, e o fim das siglas presidenciais, e das vassouras e dos pseudo-reformistas agrários donos de fazendas enormes, vieram os milicos. E lá estava Gegê.
Salomão dessa vez não podia mais batizar seu filho com algum nome especial. Sua esposa já tinha falecido. Então ficara no partido da situação. E convenceu seu filho a ficar ao seu lado. E foi assim que Gegê foi parar no SNI, e se filiar ao Arena.
De: Gustavo Mendes
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